terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Do lado de fora do muro, o Jesus que vc não conheceu.‏


Esses dias estava com alguns bons amigos falando acerca do Evangelho, diziamos como era bom
dormir em paz, sem dividas com religiões alguma, com sistemas pagãos.
Conversamos também acerca de como o Nome de Jesus é motivo de chacota na boca de algumas pessoas
e em certos meios de comunicação como a TV e a internet.
Pensei comigo, eles criticam o jesus da religião, carrasco, tirano, pseudo-banqueiro.
Eles não conheceram o Jesus do Evangelho, Senhor do anonimato, nascido nas periferias de Nazaré.
Portanto conclui que não dá pra tirar a razão dos criticos desse jesus pagão apresentado a sociedade
atraves do sistema politico-opressor chamado cristianismo instituido pelo então imperdor Constantino no seculo III.
Não se pode ver amor numa religião que queimava em fogueiras pessoas que não aceitavam suas condições, torturava
até a morte bruxos, misticos, pagãos que se negavam a ajoelhar-se aquele sistema.
O Jesus que está do outro lado do muro do cristianismo, é aquele que curava as pessoas e dizia para elas:"vai e não diga pra ninguém
o que te fiz" e como na carta de Pedro diz que Ele é o Cordeiro Imolado antes da fundação do mundo, nada me impede de acreditar
que esse Jesus que nega veemente o cristianismo é o o quarto homem com aparencia de filho dos "deuses" visto pelo Rei
Nabucodonozor na fornalha de fogo e que também não quiz sair para ser aplaudido com sadraque, mesaque e abede-nego. Afinal
Ele já estava lá com o Pai, antes do mundo, antes que o proprio tempo existisse.
Desejo de todo meu coração que quem ler esse artigo, veja o lado humano de Jesus, que não olhem mais o jesus da TV, dos auditorios
dos grandes shows, das milhonarias arrecadações.
Mas veja um cara que apenas quer o seu bem, um Jesus que não se importa com sua opção sexual, conta bancaria, com seu vicio
com sua aparencia, não se importa com sua cor de pele.
Hoje quando as pessoas me perguntam o que precisam para estar com Jesus, eu apenas digo Creiam, somente isso.
Eu não consigo acreditar num Deus que se alegra com uma pessoa que veste sua melhor roupa para num domingo a noite ir a
um templo e dizer: "obrigado Deus por eu estar aqui na sua casa e não lá fora com aqueles pecadores".
Em Atos 20:29,30 diz: "Eu sei que depois de minha partida, entre vós penetraram lobos vorazes que não pouparam o Rebanho, e que dentre vós mesmo se levantaram homens falando coisas pervertidas para arrastar os discipulos atrás deles "
Esse sistema religioso chamado cristianismo é para mim o reflexo desse versiculo, lobos que vendem objetos santos, maneiras de viver uma vida sem problemas
jardões do tipo, pare de Sofrer, esses são para mim os inimigos do Evangelho, arrastam multidões.
No mais é isso, olhem por cima do muro e irão ver o Jesus além da religião, pois como dizia um velho amigo, do mesmo jeito que nem tudo que brilha é ouro
nem tudo que tem cara de Evangelho, é de fato o Evangelho genuino, mesmo que na placa venha inscrito Jesus Cristo é o Senhor, pois já foi dito
que nem todos que falam Senhor, Senhor, entraram no Reino de Deus.

Boa noite, fraternalmente e com Carinho

Tom Rodrigues. Terra da Garoa 14/12/2010

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

A arte de julgar com sabedoria.


Jesus disse: "Não julgueis, para que não sejais julgados" (Mateus 7:1). Este versículo é citado por muitas pessoas para condenar qualquer pessoa que critica as doutrinas ou práticas religiosas de outros. Ironicamente, as pessoas que assim usam o texto não percebem que estão julgando a outra pessoa culpada de desobedecer esta proibição! É pecado julgar? Como é que devemos entender essas palavras de Jesus?

Jesus condena o julgamento hipócrita. Ele emprega uma imagem engraçada para ilustrar o ponto. Uma pessoa está sofrendo por causa de um cisco no olho, quando vem a outra oferecendo tirá-lo. Só que a outra, o juiz hipócrita, tem uma viga no olho dela! Jesus disse que temos que tirar nossas próprias vigas antes de remover os ciscos dos outros. Não devemos condenar os probleminhas dos outros quando praticamos pecados mais graves.

Jesus condena a atitude negativa do censor. Algumas pessoas vivem para criticar, sempre procurando e destacando as falhas dos outros. Tais pessoas convidam outros a ser críticos, também. Quando condenamos as pequenas falhas de outros, eles terão motivo para nos condenar (considere o exemplo do servo que não perdoou o outro, Mateus 18:23-35).

Jesus não condena a avaliação dos outros. Mateus 7 mostra claramente que Jesus não está condenando a avaliação dos outros. Temos que discernir entre o certo e o errado, e entre as pessoas que praticam as coisas de Deus e as que andam no erro. No versículo 6, Jesus exige o julgamento de pessoas que ouvem o evangelho, e a rejeição dos "porcos" e "cães". Do versículo 15 ao 20, ele ensina sobre o julgamento de professores pelos frutos (veja Mateus 16:6,11-12).

Paulo exige o julgamento. Não é o bastante dizer que o servo de Cristo pode julgar. O discípulo de Jesus é obrigado a julgar! Às vezes, alguém na igreja terá que julgar outros irmãos para resolver problemas (1 Coríntios 6:1-5). Em geral, todos nós temos que julgar todas as coisas, retendo o bem e rejeitando o mal (1 Tessalonicenses 5:21-22). Para discernir entre essas coisas, é necessário crescer espiritualmente (Hebreus 5:12-14). As pessoas incapazes de julgar continuam como crianças, como pessoas carnais (1 Coríntios 3:1).

O propósito do julgamento que Deus exige de nós não é para condenar ninguém ao castigo, mas para evitar o pecado e ajudar outros, também, ficarem livres do mal.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Quem é o culpado?


Ontem (06/10/10)por volta do meio dia, eu voltava de um compromisso na zona oeste de São Paulo, quando na estação Barra funda do metrô, deparei me com os guardas prendendo dois garotos de aproximadamente 12 anos de idade, que haviam acabado de tentar furtar a bolsa de uma mulher de aproximadamente uns 30 anos, bonita, bem vestida e de bom dialogo.
Parei no ponto como quem não queria nada, num surto de uns 10 segundos dentro de mim eu gritava, bem feito, prende esses merdinhas, e creio que todo mundo que já foi vitima de assalto pensaria quase nessa categoria, mas passado os segundos olhei bem para os garotos e pensei: " porra eles são apenas crianças", na idade deles brincava de carrinho, jogava video game! O que deu errado para eles estarem ali?

Me perguntei: Quem são as vitimas nesse incidente?

Quem estiver lendo esse artigo pode até não concordar, alias não estou e nunca estive aqui pra agradar ninguém, nem falar bonito, muito menos escrever correto.

Mas para mim a vitima daquele delito não era a moça de classe media, de boa formação academica, mas sim aqueles garotos moradores de rua, talvez viciados em crack.

Também não culpo a moça por ela ter tido oportunidades na vida, mas culpo o sistema por privilegiar alguns e cronificar a desgraça de outros.

Não gente, não sou comunista, socialista ou revolucionario, muito menos acredito na democracia ou no capitalismo, e se me perguntarem o que é bom então, direi que nenhuma

das alternativas que citei acima.

Mas voltando a moça de classe media e os garotos infratores, fica a vc que lê esse artigo discernir quem sõa os culpados?

Na realidade ouve dois furtos nesse relato do metrô, uma bolsa e o direito de ser criança.

Nós como sociedade pagadora de seus impostos somos os verdadeiros culpados, nós que trocamos os valores éticos pelos interesses materiais, pela necessidade de ser visto

por ser popular, são essas escolhas nossas que tem criados "monstros" pelas ruas da cidade, garotos crescendo com ódio.

Somos um bando de equivocados ignorantes radicais que falam de justiça, mas a única justiça que agente conhece é aquela que nós mesmos decidimos.

Os culpados somos nós! SIM, vc e eu.

Sei que é forte o que vou dizer, mas estamos produzindo os assassinos de nossos filhos e netos.

Eu creio que se pode mudar, mas é uma escolha pessoal, é uma revolução de consciência, intima, e tem de abrir mão de muitas coisas.

Uma outra coisa nessa que me deixa puto é esses canalhas de ecologistas e ativistas (nem todos, pronto), com suas bandeiras de salvem

as baleias, não derrubem as arvores e bla, bla, bla. NÃO , salvem a vida humana, o ser humano é o que se tem de mais importante e uma humanidade

conscientizada não mata animais e nem derruba arvores por dinheiro.

Sou contra a matança generalizada afim de enriquecer a ganacia humana, se tiver que matar uma baleia pra alimentar 100 familias agente mata, esse é o curso

natural da vida, as coisas foram feitas para o ser humano e não o ser humano para as coisas.

Só desabafando, desculpem a minha incompetencia.



Tom Rodrigues 07/10/10 Terra da Garoa.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Palmeiras 96 anos de comunhão alviverde.



homenagem de Mauro Beting aos 96 anos do Palmeiras.

Confira:

"Nesta data querida

São 96 anos de Palestra Itália. São 68 de Sociedade Esportiva Palmeiras. São Marcos. Academia do Divino Ademir da Guia.

Somos nós.

A Sociedade Esportiva Palmeiras.

Celebrando 60 anos da primeira das cinco coroas: do time campeão da cidade de São Paulo em 1950 e 1951; campeão do Estado de São Paulo no ano santo de 1950; campeão do Rio-São Paulo em 1951; campeão da Copa Rio para sempre, pelo Brasil e para o mundo.

96! Como 1996. Ano da maior campanha da história do profissionalismo paulista. A do Palmeiras dos 102 gols. Mais um campeoníssimo que não precisa de chancela e de título para saber que era o melhor. Não ganhou mais que um Paulista? E daí? O Palmeiras não se mede por títulos. Paixão é desmedida. Não é fácil contar este Palmeiras de vitórias incontáveis e incontestáveis. Deixem que os outros contem. O palmeirense canta.

No Palmeiras, recordar é vencer. Tudo tem volta. Nesta casa, todos têm volta olímpica. Vencedora. Como o retorno do eterno Felipão. Do mago Valdivia. E do gladiador Kleber. Um palmeirense que pelo clube morreria em nossa arena. Mas, pensando bem e torcendo melhor, onde há verde há vida. Não se morre pelo clube. Ele que nos faz viver e nos faz sentir em casa.

No Palestra Itália. Onde tanta gente que não se entende canta e vibra. Boa gente que só se entende como gente quando é Palmeiras. Onde nós divergimos tanto quanto nos divertimos. Nossa casa está em obras. Volta firme, forte e verde em breve. Como nossos ídolos voltaram este ano ao clube não por questão de escolha. Mas por escola. Porque um palmeirense não escolhe o Palmeiras. O Palmeiras que nos acolhe.

Não é saudosismo. É campeonismo. É aquilo que voltou contra o Vitória, na Sul-Americana. Vitória nossa. Vitória marcante. Vitória felipônica. O espírito de 1999 encarnado na virada. O espírito desde 1914 que faz com que, ao final da partida, todo o elenco saia do gramado em direção à arquibancada. Não só para festejar. Mas para comungar. Era um só corpo, um só espírito, uma só equipe. O time. O alviverde inteiro.

Um clube que teve de mudar de nome, mas não de ideais. Gente que sabe plantar sementes e criar Palmeiras. Podemos perder a casa por um tempo, mas jamais perderemos o nosso templo. Até porque este clube é para ganhar. Amigos e jogos.

Este é o berço da Academia do país do futebol. O palco do Campeão do Século XX. O altar da comunhão palmeirense.

O Palmeiras dos filhos desta pátria mãe gentil, dos netos da Mamma Itália. Da torcida que canta e vibra nos Jardins Suspensos pela paixão, no canto de amor verde e paixão branca de Moacyr Franco.

Mas tanto amor não tem cabimento. Por isso o Palestra precisa ser maior. Moderno como o gramado elevado de 1964. Eterno como o estádio que é nosso há 90 anos. Casa que continuará sendo de cada um quando reabrir os portões para a História.

Quando a nova arena voltar, ela será como o nosso amor: ainda maior; ainda melhor; ainda mais Palestra Itália; sempre mais Palmeiras. Para abrigar cada filho que se ressente do lar ausente. Mas não do amor de mãe, de pai, de filho, do espírito santo palestrino. Do anjo-guardião que nos protege há 500 jogos. Do Divino que nos ilumina em cada campo.

Santos e deuses. Ateus e os que professam outras fés que me perdoem: vocês não sabem o que estão perdendo. Quer dizer... Vocês sabem muito mal quantas vezes já perderam.

Parabéns, Palmeiras, nesta data querida.

Parabéns, palmeirenses, por todos os dias de nossa vida em verde."

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Martin Luther King, meu pastor

Por Ricardo Gondim




Um dos maiores personagens do século XX foi um pastor batista. Homem de fé, pregador do Evangelho e cidadão humano, Martin Luther King Junior foi, seguramente, a voz que melhor encarnou o ofício de um profeta contemporâneo. Quando se levantava para falar qualquer coisa, as pessoas ouviam, presidentes temiam, excluídos sentiam-se defendidos e a humanidade ousava vislumbrar o futuro com esperança.

Martin Luther King jamais foi bem vindo em ambientes fundamentalistas, não transitava entre intelectuais intolerantes e nem era simpatizado pelos falcões militares.

Contudo, os que conviveram ao seu lado reconheciam o privilégio de desfrutar da intimidade de um homem que soube transbordar seu sonho de justiça para os negros americanos e para o restante da humanidade.

Uma bala de rifle o silenciou poucos meses antes de completar seu 39º aniversário. Contudo, sua morte prematura o conduziu para o Panteão dos heróis mundiais. As tragédias reforçam os mitos. Ninguém calou suas idéias. Não há força ou poder capaz de silenciar a verdade quando ela encarna.

Martin Luther King conseguiu jogar a cultura do preconceito no lixo da história; sem jamais advogar o ódio. Abraçado à não-violência de Ghandi, ele acreditava que a justiça social não aconteceria “de acordo com a inevitável roda do destino”, mas viria com luta e sacrifício.

Por mais que tentasse, Martin Luther King não conseguiria fugir de sua vocação. Era Deus quem o chamava. Em 1954, trilhou a senda apertada dos santos, trocando a Universidade de Boston pela modorrenta cidade de Montgomery.

Quando Rosa Parks recusou ceder o seu lugar no ônibus para um homem branco, Martin Luther King viu-se impelido a liderar um movimento que transformaria a América para sempre. Sem nunca temer marchar na frente de qualquer passeata, ele era uma inspiração para milhões de negros americanos. Todos entendiam o que a Bíblia quer revelar quando afirma que Deus quer seus filhos como cabeça e não como cauda. Com menos de trinta anos, foi eleito o “Homem do Ano” pela revista Time e logo depois recebeu o Prêmio Nobel da Paz.

É mister que os pensamentos deste humilde gigante de Deus continuem circulando entre os que amam a paz e lutam pela justiça, por isso, os copio.

Amor e Justiça.

Sejamos cristãos em todas as nossas ações. Mas quero dizer-lhes esta noite que para nós não basta falar do amor. O amor é um dos pilares da fé cristã, mas há uma outra face chamada justiça. E a justiça é de fato a ponderação do amor. Justiça é corrigir com amor aquilo que se rebela contra o amor.

Deus Intervém.

Deus intervém mesmo quando a igreja não se manifesta. Deus inseriu um princípio neste universo. Deus disse que todos os homens devem respeitar a dignidade e valorizar cada personalidade humana: ‘E se não fizerem isso, assumirei o controle’. Parece que nesta manhã posso ouvir a voz de Deus. Posso ouvi-lo falando através do Universo: ‘Aquietem-se e reconheçam que Eu sou Deus, que, se não Me obedecerem, se não se corrigirem, se não pararem de explorar outros povos, eu Me erguerei e quebrarei a espinha dorsal do seu poder, até que não haja mais poder!’.

A não-violência.

Enfrentemos o ódio com amor. Enfrentemos a força física com a força da alma. Há ainda uma voz clamando através dos tempos: ‘Amai os vossos inimigos, abençoai os que vos amaldiçoam, e orai pelos que vos ultrajam e vos perseguem’. Essa mesma voz clama em termos que elevam a proporções cósmicas: ‘Quem vive pela espada, pela espada morrerá’. E a história está repleta de ruínas das nações que falharam ao não seguir essa lei. Devemos seguir a não-violência e o amor.

A esperança Cristã.

Há algo em nossa fé que nos diz: ‘Jamais se desespere; jamais desista; jamais acredite que a causa da virtude e da justiça está condenada. ‘Há algo no âmago de nossa fé cristã que nos diz que a sexta-feira pode ocupar o trono por um dia, mas ao fim dará lugar ao triunfante rufar dos tambores da Páscoa. Há algo em nossa fé que diz que o mal poder dar forma a eventos, que César ocupará o palácio e Cristo, a cruz; mas um dia o mesmo Cristo erguer-se-á e dividirá a história em a.C e d.C., de tal forma que a própria vida de César será datada em seu nome.

Há algo neste universo que justifica as palavras de Carlyle: ‘Nenhuma mentira é eterna’. Há algo no Universo que justifica as palavras de William Cullen Bryant: ‘A verdade, esmagada contra a terra, novamente se erguerá’. Há algo no universo que justifica as palavras de James Russel Lowell:

'No cadafalso, a verdade;
No trono, sempre a injustiça.
Porém, o nosso futuro
O cadafalso ilumina,
E vela Deus por seus filhos
por detrás das trevas infindas'.

Sinto a pobreza de minha geração e oro para que Deus levante homens com o quilate deste diamante negro chamado Martin Luther King Junior.


Soli Deo Gloria.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O Tesouro.

Por Meu mano Vinicius Godoy

Muito falavam, os mais antigos, da alegria eufórica deste bardo. Este que antes contagiava os velhos, incentivava os mancebos, emocionava as donzelas e divertia as crianças. Hoje com sua musica triste e sua poesia ácida, contenta-se em chocar, abalar, frustrar e assustar os que ainda teimam em dar-lhe ouvidos.
Todos perguntavam-se para onde fora toda a vida que tão nitidamente emanava de seus poros? Quem lhe roubara o desejo? Por que insiste em exalar tanto pesar em existir? O que aconteceu ao amado poeta da cidade para que de tal forma se inclinasse à morte sem oferecer resistência?
Rumores contam de um evento crucial, um encontro definitivo com a vida (ou a morte), dizem que uma conversa o matou, uma história, uma simples história de um lugar, toda a trajetória da humanidade refletida na vida de uma cidadezinha contada por um velho ermitão, que em sua juventude abdicou do convívio, das viagens, dos prazeres, da vida, ao deparar-se com essa misteriosa cidade da qual o pobre bardo passa seus dias a cantar.
Convido-lhe agora a cantar sua música e a ouvir a história que mudou sua vida

“Um dia um velho eremita
Destes que pouco se vê
Focado em meus olhos que brilham, dizia
De um belo lugar pra viver

A esperança em vê-la aviltou toda dor
O desejo contido então aflorou
E pensar minha vida a gozar desse lar
Auxilia o destino a minha’lma sanar

Mas não é mais assim diz o velho a chorar
A penúria e a miséria encontraram seu lar
Os que hoje se ofendem outrora eram irmãos
A ganância e o descaso enfim deram as mãos

Mas não quero te ver aliviado sorrir
Por que julgas estar muito longe daqui?
Só lhe peço que vejas com muita atenção
Que todo o mundo reflete o que meus filhos verão”

Há muito em minhas jornadas não via tamanha miséria como vi em Pandora. Mesmo antes de cruzar suas fronteiras, contemplando-a à distância, ainda não podia entender o que me fez ter Pandora por uma cidade, já que não se parecia com nenhuma que vi em vida, exceto em meus mais confusos pesadelos pueris. O que via, diga-se de passagem, com profundo dissabor, mais se assemelhavam a assentamentos, milhares de barracas debilmente montadas, que como escarlatina manchavam o centro do território da cidade. Tal visão me remetia aos povos nômades do oriente, porém, o cenário atual apresenta-se de maneira profundamente funesta, distinguindo-se dos errantes orientais pelo fato de povoarem aquelas terras por séculos, a geografia desgastada de Pandora denunciava com precisão a ação atroz do homem neste lugar. Cada tenda era acompanhada por uma pequena fogueira que em conjunto produziam uma nevoa densa, negra, que tornava não só a vista, bem como todo o viver em Pandora, mais deprimente ainda. Pude ver que a apatia nos semblantes era um reflexo direto dos céus da cidade, porém, ainda que não soubesse o porquê, podia ver um fio de esperança nos olhos dos pandorianos, sobretudo nos olhos das jovens que com esforço carregavam lenha para alimentar o fogo que ainda ardia simbolizando o por vir.
Ínfimas plantações doentes, mulheres maltratadas tirando água de um rio poluído, o cheiro intoxicante das cinzas e os ratos que povoavam a cidade na proporção de cinco deles para cada habitante, são cenas que me afligirão para o resto dos meus dias, onde nem meus mais atordoantes devaneios escatológicos poderão, em minha memória, tomar seu lugar.
A essa altura, quando não julgava haver coisa mais chocante do que já tinha visto, algo (de forma até irônica) me chama a atenção: em diversos pontos de Pandora, ajuntamentos de crianças sujas e amedrontadas ouviam os anciãos aos gritos, que impunham, ou ensinavam, ainda não sei ao certo, a respeito de um tesouro, tesouro esse que salvará Pandora para sempre, diziam os velhos.
Como não percebi isso antes? Estes eram os primeiros habitantes do sexo masculino que via! E ainda assim só vejo velhos e crianças. Não precisei de muita dedicação para conjecturar onde estariam os homens da cidade.
A julgar por sua sabedoria, caro poeta, creio que, como eu, entendeste que onde os velhos ensinam e as crianças aprendem, cabe aos mancebos e adultos agir!
Sim, todo homem de Pandora estava a procurar o tesouro, ao passo que quando deste eram tiradas as forças e a juventude, restava-lhe ensinar aos que futuramente o substituiriam.
Considero-me um varão trabalhado nas artes do intelecto, mas confesso não entender o porquê de toda uma cidade envolver-se na busca de um tesouro que nem todos têm a certeza de sua existência. Ao menos as mulheres, pensava eu, não se implicavam nessa causa, ledo engano, as pandorianas eram a base de toda busca, é sua assistência que viabiliza a jornada dos homens, logo as esposas, em tese, estão dentro das cavernas ao lado de seus maridos, suportando-os.
Assim, a cidade vive para o tesouro. Por quê?
– O tesouro nos salvará dessa miséria - vociferava o ancião em um sermão quase profético.
Por quanto tempo existirão? Até quando Pandora será lembrada? Quando finalmente perceberão a redundância desprovida de sentidos de todo seu árduo trabalho, de toda sua vida? Quando ser-lhe-ão tiradas as vendas de seus olhos, para que vejam que buscam o tesouro por conta da miséria e vivem na miséria por conta do tesouro. Quando entenderão que tudo que sabem, tudo o que ensinam, tudo que fazem presta-lhes, simplesmente, a mantê-los como prisioneiros em seus cotidianos, sustentando assim, o tipo de infelicidade em que vivem? Peço aos Deuses que, antes de seu iminente fim, dê-lhes tempo para que vejam a enorme pedra de mármore que rolam arduamente para o cume da mais alta montanha, a qual antes de sua subida já estava, pelas leis naturais, fadada à queda. Tornando inútil e infindável qualquer de seus esforços.
_____________________________________________________________________________

Meu comentario:

A história dos pandorianos reflete à história de muitas povos, pessoas que passam suas vidas se dedicando a busca de algo que nao tem nem certeza se existe.
Vejo isso muito nas religiões pra ser sincero, as religiões são como uma enorme feira onde se vendem passaros engaiolados de todos os tipos.
existem dois tipos de prisão, as feites de grade de ferro e as feitas de palavras, e a prisão do povo de pandora era feita de palavras, sim dos velhos que quando crianças ouviram de outros sobre esse tesouro e que ao voltarem sem ele anunciavam as crianças sobre esse mesmo tesouro e viviam assim constantemente, pelo que entendi.
colocavam suas esperanças em algo que nem sabiam se de fato existia, dita por alguém lá atras na no passado dos pandorianos.
Esse é o karma das prisões feitas de palavras, elas nos prendem por dentro, e esse foi o erro dos homens de pandora, se talvez tivessem se organizado e contituidos léis e regras, talvez tivessem vivido mais dignamente ao invés da miseria que estavam.
Somos assim sonhamos o vôo, mas tememos as alturas diria Rubem Alves.
Pra voar é preciso amar o vazio. O vazio é o espaço da liberdade, a ausência das certezas. por isso trocam o vôo pelas gaiolas. As gaiolas são o lugar onde as "certezas moram". É um engano pensar que os homens seriam livres se pudessem, que eles não são livres porque um estrenho os engaiolou.
Essa é a analize que eu faço dos pandorianos.

Tom Rodrigues, 28 de julho de 2010.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

As oferendas de Tagore.



Postado em 16 de outubro de 2009 por Vasco Arruda

Minhas dívidas são grandes, minhas falhas são enormes e a minha vergonha é secreta e pesada. Todavia, quando venho pedir um benefício, tremo de medo de que a minha súplica seja atendida.

Rabindranath Tagore

[Tagore, Rabindranath. Gitanjali (oferenda lírica). Tradução de Ivo Storniolo. 2ª. ed. São Paulo: Paulus, 1991, poema 28.]

Na semana passada postei neste blog um texto sobre Rabindranath Tagore. Na ocasião citei alguns comentários do poeta a respeito de Cristo. Hoje, conforme prometido naquela ocasião, volto a Tagore para comentar o livro que é considerado por muitos críticos e estudiosos sua obra-prima, e que o tornaria conhecido no Ocidente ao ser traduzido, pelo próprio autor, para o inglês. Refiro-me a Gitanjali (pronuncia-se guitánjali), cujo título foi traduzido como “Oferenda lírica”.

Gitanjali é, todo ele, um grandioso canto de amor a Deus. Nele, Tagore revela toda a força da sua mística e da sua incansável busca de Deus. Este Deus que é tanto mais ansiado e procurado quanto mais se esconde. Por isso, Tagore o denomina Senhor do silêncio. Eis aí a pedra de toque do poema tagoriano. Em Tagore, Deus é uma figura paradoxal, porque, simultaneamente, se revela e se esconde. É algo assim como se Ele aparecesse sempre na semiobscuridade, num lusco-fusco em que só se dá a conhecer parcialmente. No poema 19, reclama Tagore, como num lamento:

“Se não falas, vou encher o meu coração com o teu silêncio, esperando, como a noite em sua vigília estrelada, com a cabeça pacientemente



E, no poema 39, suplica: “Quando o trabalho tumultuoso espalhar por toda parte o seu ruído, isolando-me do além, vem a mim, Senhor do silêncio, com a tua paz e serenidade”.

Para quem conhece a poesia de São João da Cruz, é impossível passar despercebida a semelhança entre os versos do místico espanhol no Cântico Espiritual e aqueles do poeta bengalense expressos no poema 41. Indaga Tagore no início do poema:

“Onde estás, meu amor? Por que te escondes na sombra, por trás de todos? Eles te empurram e passam por ti na estrada poeirenta, pensando que não és ninguém. E eu fico aqui, esperando por horas intermináveis, com as minhas oferendas para ti; os passantes chegam, tomam as minhas flores uma por uma, e a minha cesta já está quase vazia”.

O Doutor Místico, por sua vez, exclama, em tom indagativo: “1. Onde é que te escondeste,/ Amado, e me deixaste com gemido?/ Como o cervo fugiste,/ Havendo-me ferido;/ Saí, por ti clamando, e eras já ido./ 2. Pastores que subirdes/ Além, pelas malhadas, ao Outeiro,/ Se, porventura, virdes/ Aquele a quem mais quero,/ Dizei-lhe que adoeço, peno e morro./ 3. Buscando meus amores,/ Irei por estes montes e ribeiras;/ Não colherei as flores,/ Nem temerei as feras,/ E passarei os fortes e fronteiras” (São João da Cruz. Cântico Espiritual. Em: Obras Completas. Petrópolis, RJ: Vozes, 1984, p. 30).

A propósito do Gitanjali, escreveu Ivo Storniolo no prólogo para a tradução da editora Paulus: “Poderíamos ler este livro em apenas uma hora. Nós o consumiríamos, mas talvez não iríamos perceber o que ele tem a nos dizer, nem a escola de vida que nele se esconde: redescoberta da natureza, percepção do tempo, mistério das relações, demitização das ilusões, anseio pelo absoluto, alegria de descobrir-se amado por tudo e, por trás de tudo, amado por Deus.

“Gitanjali”, conclui Storniolo, “não é um romance, mas livro de vida. É para ser lido pouco a pouco, conferindo a cada momento a percepção poética e mística do autor com a experiência que temos da nossa vida. Ele começa comparando-se com um instrumento nas mãos de Deus (Gitanjali, 1). Ao terminar, ele exclama: “Ó meu Deus, permite que todos os meus sentidos se dilatem, e eu farei este mundo roçar os teus pés, numa derradeira saudação a ti” (Gitanjali, 103). Oxalá cada um de nós possa dizer o mesmo, não mais com as palavras de Tagore, mas com a própria vida” (p. VIII/IX).

Para concluir, quero fazer aqui uma revelação. Enquanto transcrevia os trechos em que comparo Tagore e São João da Cruz, por duas vezes tive que interromper o texto. A primeira, para pegar lenço de papel; a segunda, para lavar o rosto. Em ambas as ocasiões, os meus olhos ficaram tão marejados, que não conseguia distinguir as letras do teclado. É assim que me acontece algumas vezes em que volto aos escritos destes dois grandes expoentes da mística. Embriagados pela busca do Divino, eles cantam. Quanto a mim, um reles e insignificante mortal, silencio e choro à leitura de seus extasiantes versos.